sábado, 29 de janeiro de 2011

Sabor Plutônico - Sobreviventes da Quimera Flutuante





[ Muito em breve meu Olá reaparece.
Como sabem, na última vez que comuniquei-me, estava na incessante procura do poeta forasteiro que cantarolou em minha janela versos enigmáticos. 
Quiçá embrenhadores. 
Porém, muita coisa de lá para cá aconteceu... 
Mas, desde já, quero que saibam de antemão que minha busca inicial foi em vão. 
Nada encontrei do tão sonhado Poeta.
Começarei, então, a discorrer meu prognóstico intento de encontrar o amor do locutor de Sentimentos.

Logo que saí de minha doce morada, deleitei-me em uma viagem extraespacial.
Conheci outros planetas, outros seres de meu total desconhecimento.
Após anos e anos luz, a viagem deu-se início, ou melhor, tornou-se verdadeiramente interessante quando aterrissei em um imenso planeta de puro Verde Lunar. 
Havia inúmeras plantações de música. 
Os frutos eram todos em formas de notas musicais e ao bater do vento, podia-se ouvir as entonações provindas dos frutos que balançavam. 
Adentrei um comprido bosque que me encaminhava para a morada do provável dono do planeta tão musical e lá o encontrei plantando belas mudas de claves de sol. 
Receosa falei apenas um Olá! e nada mais.
Ele levantara e tão sorridente falou: - Bom Dia, flor pequenina que encanta meu jardim! O que fazes aqui?

Eu, acolhida em minha timidez, respondi: - Olá, sou ExtraTerrena. Tenho viajado anos luz a procura de meu tão sonhado forasteiro errante, que num breve instante encantou meu coração. Como se chama?

Ele, responde: - Chamo-me de Sr. Verde Esmeraldino, mas pode chamar-me de Verde. Posso ver que tua aventura até agora não teve resultado, estou certo?

Eu, envergonhada por tal certeza, respondo que - SIM, está certo! Nada dele encontrei.

Ele, docemente, responde: - Não fique triste, flor pequenina, eu ajudarei nessa busca. Conheço diversos planetas distantes. Quem sabe em um deles não encontramos algum paradeiro do tal forasteiro errante? Contas comigo!

Então, preparamos nosso desjejum e saímos para desbravar nossa aventura.

Percorremos trilhas e estradas sem fim.
Eram tantos seres estranhos. 
Alguns carrancudos. 
Outros nem tanto. 
Partes deles sorridentes. 
Por hora, outros tantos, indiferentes. 
E nada, até então, encontramos...
Foi quando nos deparamos com um planeta extremamente peculiar. 
Suas formas e cores tinham algo sutil que nos acolhiam sem que nem mesmo tivéssemos permitido tal acolhimento.
E logo na placa de entrada havia um toque de convite que dizia: 
Bem vindos ao planeta VIDA e delicie-se nos mais doces devaneios que este planeta lhe oferece... 
e outros tantos blábláblás.
Então Eu e o Sr. Verde nos olhamos como que no olhar já dissesse 
Encontramos nosso lugar perfeito para nossas buscas improváveis! 
e adentramos pelas redondezas inebriantes.

O Sr. Verde, como podem imaginar, com seu sorriso de "amigo de infância", logo fez suas diversas amizades e Eu lá, apenas quieta, observando tudo aquilo com muita precisão.
Barulho incessante. 
Seres falando e falando sem parar. 
As músicas agitavam ainda mais o ambiente.
Batuques.
 E mais batuques. 
Violoncelos. 
Pianos. 
Música, era tudo o que precisávamos naquele momento exaustivo. 
Dentre risadas e conversas. 
Desabafos e histórias de vida. 
Ou apenas, uma diversão aparente. 
Nos encontramos rodeados de Seres interessados em nossos contos, ou quem sabe, em nossas vidas.
 Talvez aquele lugar fosse realmente mágico. 
Talvez aquela definição do planeta realmente fizesse jus aquilo que poderíamos sentir lá. 
E naquela descoberta, nos libertamos de nossas antigas crenças, de nossas antigas concepções.

A noite já fazia-se escura. 
Todos já estavam recolhidos em suas tocas. 
E Nós permanecemos a devanear a Lua que de longe nos acenava. 
Apenas o silêncio. 
Silêncio. 
E logo após o silêncio, chaqualhos nos arbustos que nos cercavam, mas nenhum Ser aparente. 
Então, repentinamente, surge três criaturas meio "amalucadas", balbuciando incessantemente. 
Aproximam-se. 
Ela, borboleteando. 
Sorriso gigantesco.
 Gargalhada envolvente. 
Suavidade inconstante. 
Chamara Borboleta, por suas tantas seguidoras que adornavam seus cabelos enegrecidos e radiavam ainda mais seu Sorrir. 
Ele, parafraseando. 
Fino feito vareta. 
Palheta. 
Sim, Palheta era como lhe chamavam. 
Tagarela andante. 
Falante. 
Quiçá, desconsertante. 
Porém, infinitamente hilariante. 
O Outro, Transitante. 
Flutuante. 
Pairava em pleno ar, como se sentisse deliberadamente a vida que por ele passava. 
Misterioso, mas facilmente entregue. 
Encantador, assim poderei chamá-lo.

Sr. Verde, como sempre, político de alma, os conhecia de outros tempos espaciais. 
Dentre conversas. 
Risadas. 
Meu infortúnio foi delicadamente exposto. 
E eles acolheram minha busca. 
Saímos, então, a procura de mais aventuras...

Escalamos montanhas. 
Atravessamos nevoeiros. 
Comemos doces morangos avermelhados pelo caminho.
E nada "daquele" encontramos...

Aquela busca tornou-se a fadiga escomunal. 
O ápice da minha íntima solidão sombria. 
Vazia. 
Ocupada por lembranças de total vazio. 
De total descontentamento. 

Certa noite. 
Certa vez. 
Retirei-me em minha "autocompreensão".
AutoConhecimento.
 Conversar com aquele que chamo de Eu. 
Enquanto os outros dormiam, caminhei até uma grande árvore que encontrava-se logo alí. 
Escalei-a. 
Seus robustos galhos acolhiam-me como uma mãe colhendo seus filhos amados. 
E no topo fiquei. 
E fitei o Céu. 
O Espaço contemplava-me concentrado. 
E pude ver meus pensamentos como holograma. 
Todos lá no alto, espalhados pelo vento, feito penduricalhos no vácuo. 
Com minhas pequenas mãos comecei a organizar cada pensamento. 
Cada compartimento cerebral. 
Minhas gavetas mentais abarrotadas. 
Pó espalhado por meus Criados, que de Mudos, nada tinham. 
Minha cabeça estava em desordem. 
Quanta bagunça! 
E ao final de toda aquela faxina infernal, chegaram as definições. 
Revelações. 
Ou coisa aparente. 
Conclusões e afins. 
E logo penso: 
Nada tenho além daqueles que amo. Daqueles que me importam. De nada adiantaria passar pela vida tão somente só. Por vezes busco o Amor. Aquele que julgo puro e verdadeiro. Sei que no mundo somos por Nós. Não creio que devamos realizar nossos atos pelos outros, se não por Nós mesmo. Infelizmente, dei-me conta de que nada se tornará infinitamente agradável, assim como nossas ações jamais preencherão por completo o peito daquele que agraciamos. E tudo nessa passagem é finito. Até aquele amor que sentimos ser duradouro é finito. Passa por suas fases. Evoluções. Somos fases infinitas. Seres inacabados. Sempre em busca daquilo que por vezes não sabemos. Mas queremos. Queremos sempre o perfeito, embora ele não exista. O perfeito aos nossos olhos. Ao nosso gosto. Vim de muito longe em busca de uma imagem criada e recriada pela minha mente. Não, que não exista. O Ser essencial para abrigar o meu Amor. Para colher a minha Dor. Para encharcar de felicidade aquele meu coração tão desavisado. Mas, embora, minha busca pareça vã. De loucuras andanças, nada dele encontrei. Porém, não havia me dado conta, do presente enviado a mim. Aqueles que logo abaixo adormecem. Amizade consentida e cultivada firmemente com o Tempo. Uma união de meros acasos. Planetas misturados. Vidas divididas. Amor compartilhado. Por mais vã que possa parecer minha aventura, essa louca viagem me fez descobrir que solidão, só de fato a sente, quem não tem amigos para compartilhar suas vivências. Meu peito se enche de alegria e meus olhos de lágrimas. Assim como meu Céu se encheu de cores. Pensamentos organizados na caixola. Lá se vem o Sol imponente dar seu caloroso Olá.

- Bom Dia!, falei para meus adorados amigos.
- Bom Dia!, eles sorridentes, responderam.
- Prontos para mais uma aventura???, falei...  
E, então, saímos para devanear, correndo e pulando as colinas campestres.... 

Até a volta!]